O menino ouvia, cada vez mais entretido, tinha seus sobressaltos quando entendia algo a mais, então o flamingo era vermelho para se camuflar ao pôr-do-sol? Fazia perguntas, homem respondia, e percebi que eu estava tão fascinada quanto aquele menino, tendo vislumbres que me tornavam menos desesperançada, e que o homem já não falava mais apenas para o menino e para a moça de vestido de renda branca, que igualmente ouvia quase sem respirar, mas ele também falava para min, murmurava em meu ouvido, evocava o encantamento perpétuo, soprando suas palavras entre nossas peles e nossos vestidos, entre nossos cabelos e nossos sonhos, porque eu também não era muito mais que uma criança que prescisava de uma explicação sobre o mundo, sobre as pessoas, sobre os enigmas do amor e do desamor.