Em on, ou seja, em pública, FHC queixa-se da oposição e da imprensa, mas, em particular, sabe que o inimigo mora dentro de casa.
Para quem está de fora, do outro lado do balcão, fica difícil entender por que FHC, o político que conseguiu a primeira reeleição da nossa história - montado na mais ampla maioria do Congresso jamais conseguida por qualquer outro presidente - não dá logo um murro na mesa e faz um governo mais fiel à sua própria biografia.
De uma coisa continuo absolutamente convicto: não gostaria de estar no lugar dele, mesmo reconhecendo que o Palácio da Alvorada, com seus espaços amplos, sua luminosidade, seus bem cuidados jardins, seu silêncio, que estimula a reflexão, o horizonte infinito do planalto, é um bom lugar para morar. O poder, certamente, tem lá suas compensações. E, pelo tamanho da biblioteca do Palácio da Alvorada, com o que tem de livros, tenho a ligeira impressão de que FHC não pretende sair de lá tão cedo. Nem que seja preciso, em último caso, a eterna aliança introduzir o parlamentarismo.
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